DIÁLOGO 20

GREEN NEW DEAL

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     O GREEN NEW DEAL BRASIL NÃO É APENAS MAIS UM PLANO DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA. É UM CHAMADO

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Na 20ª edição do "Diálogos Futuro Sustentável", proposta que busca estruturar um modelo de crescimento justo e sustentável é detalhada e discutida por representantes do Brasil e da Alemanha.

A primeira edição do ano do seminário internacional "Diálogos Futuro Sustentável", realizado pelo iCS - Instituto Clima e Sociedade e pela Embaixada da Alemanha, aconteceu ontem, 10 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo YouTube do iCS. O tema do debate foi "Green New Deal: Um novo Acordo Verde para o mundo e para o Brasil", e foi discutida a viabilidade e as abordagens para a implementação do plano no país.

 

Com abertura de Heiko Thoms, Embaixador da Alemanha, e da diretora de Programas do iCS, Teresa Liporace, e mediação de Marina Marçal, coordenadora do portfólio de política climática do iCS, o evento reuniu o deputado federal Alessandro Molon; o professor Carlos Eduardo Young, coordenador do grupo de economistas da UFRJ que elaborou o texto do Green New Deal brasileiro; e Stephan Contius, chefe da Divisão das Nações Unidas, Países em Desenvolvimento e Economias Emergentes do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha.

 

No início do evento, Heiko Thoms destacou que o mundo está em direção a uma economia mais verde. "Estamos caminhando para uma green economy global. Governos, mas também investidores privados, reconhecem que metas de proteção ambiental e climática não representam um obstáculo, mas sim um importante elemento para um desenvolvimento próspero da economia e para a paz social. As estratégias para a recuperação verde da Alemanha e da União Europeia são bons exemplos disso".

 

O Embaixador ainda ressaltou que, com os consumidores cada vez mais conscientes do que querem para o futuro, a origem dos produtos torna-se mais importante e o Brasil deve se preocupar com isso. "Na Europa, nós vemos que os consumidores se interessam cada vez mais detalhadamente pelas cadeias de suprimentos, eles querem saber de onde vem a carne do seu prato, o álcool para o tanque do seu carro. Por isso, o fato de o desmatamento na Amazônia estar crescendo, também constitui um problema para a nossa cooperação econômica. Estou seriamente preocupado com o risco de o Brasil perder a confiança do mundo, dos mercados investidores por causa do desmatamento", contou. 

 

Stephan Contius falou sobre a importância do financiamento sustentável e destacou o trabalho já realizado na Alemanha. "Nós acreditamos que o financiamento sustentável é fundamental para que as metas climáticas e os ODS sejam atingidos. A gente precisa de financiamento para investimentos em tecnologia, infraestrutura e expertise. Junto com uma série de parceiros, a Alemanha está promovendo uma rápida mudança para o financiamento sustentável como uma maneira de mobilizar o setor financeiro para se tornar mais resiliente e apoiar a recuperação verde".

 

Segundo o Comissário, juntamente com outros ministérios, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha coopera com países parceiros para conscientizar e desenvolver habilidades de financiamentos sustentáveis. Um dos exemplos citados por ele é o trabalho feito com a África do Sul. "Na África do Sul, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha apoia o desenvolvimento de green bonds em cooperação com o UNEP. Dois municípios, por exemplo, estão sendo apoiados por green bonds em termos de treinamentos, desenvolvimento de estruturas de green bonds e identificação de novos projetos", disse.

 

Em sua fala, Alessandro Molon detalhou a proposta para o Brasil e seus principais objetivos. Para que a economia brasileira se torne neutra em emissão de carbono em 2015 será necessária uma verba de R$ 509 bilhões por ano (6,9% do PIB de 2019). "As ações do Green New Deal Brasil buscam estruturar um modelo de crescimento justo e sustentável com responsabilidade social e fiscal. Em um contexto em que se reconhece a atual década como a decisiva para evitarmos impactos ainda mais disruptivos para a sobrevivência da humanidade, não se trata mais de um plano de recuperação econômica apenas, mas de um chamado. A repactuação de valores universais. Nosso conjunto de trinta ações até 2030 está distribuído em cinco eixos temáticos: infraestrutura, cidades, uso do solo e florestas, transição econômica justa e sustentável e mudanças políticas e normativas".

 

Molon revelou também como os objetivos seriam alcançados de forma prática, e algumas das ações promovidas pelo plano seriam recuperar e expandir a infraestrutura ferroviária, garantir a universalização do serviço de saneamento básico, promover a recuperação florestal e garantir empregos verdes. O deputado ainda contou quais os maiores diferenciais do Green New Deal. "A grande diferença dessa proposta para muitos projetos verdes anteriores é que ela está toda entremeada e cruzada com impactos sociais. Não se trata de uma proposta apenas para o meio ambiente, se trata de uma proposta que, através das ações ambientais, foca também nas questões sociais, o que certamente significa um olhar especial para os povos originários, para as populações indígenas, para o povo negro do nosso país, passa também por ações afirmativas que a gente defende. Ou seja, tem uma pegada social muito forte, não é um projeto que trata apenas da natureza e esquece o ser humano", disse.

 

O professor Carlos Eduardo Young, que coordenou a equipe de economistas da UFRJ que elaborou o programa Green New Deal Brasil, reforçou que não é possível pensar em crescimento econômico dissociado do processo social e do processo ambiental e lembrou como as tragédias naturais têm forte impacto econômico. "O custo dos desastres climáticos, apenas no que diz respeito a enchentes, inundações e deslizamentos de terra, que já foi estimado, é da ordem de dezena de bilhão de real subindo para centena de bilhão de real. Quando se tem um evento desastroso – como estamos tendo todo verão, em Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo – existe um custo que se dá porque não há adaptação, resiliência. Isso requer uma participação ativa do estado junto com a iniciativa privada, mas isso precisa ser liderado com foco no atendimento da população. Não se trata apenas de crescer o PIB, o que é fundamental é um PIB melhor”, afirmou.

 

Entre os resultados esperados com a implementação do Green New Deal Brasil, alguns dos destaques são: 9,5 milhões de postos de trabalho criados, sendo 5,4 milhões de ocupações formais com um salário médio de 26 mil reais por ano; 121 bilhões de reais por ano em arrecadação tributária a mais, a partir do crescimento econômico que será induzido pelo plano; e 1 gigatonelada de gás carbônico a menos por ano, que equivale à metade das emissões reduzidas.

 

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