DIÁLOGO 21

CLIMA E TRABALHADORES DO CARVÃO

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OS DESAFIOS NA INDÚSTRIA DO CARVÃO NO BRASIL E NA ALEMANHA

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Na 21ª edição do 'Diálogos Futuro Sustentável', especialistas dialogam sobre as oportunidades de transição justa para os trabalhadores do carvão

Com apoio da Embaixada da Alemanha, o iCS - Instituto Clima e Sociedade realizou, no dia 6 de outubro, em Porto Alegre, a 21ª edição do seminário internacional "Diálogos Futuros Sustentáveis". O evento foi presencial, com transmissão ao vivo pelo YouTube e tradução simultânea em português e alemão. O debate "Clima e Trabalhadores do Carvão" abordou os desafios que serão enfrentados na indústria do carvão, tanto no Brasil quanto na Alemanha, nos próximos anos durante a transição energética e as implicações das mudanças estruturais necessárias em suas matrizes energéticas para migração de um sistema historicamente baseado em combustíveis fósseis para uma matriz cada vez mais baseada em fontes renováveis.

 

Os convidados debatedores foram Nelson Karam, coordenador de projetos sobre trabalho e meio ambiente do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos); Christine Herntier, prefeita da cidade alemã de Spremberg e membro da “Comissão phase-out de carvão” da Alemanha; Genoir José dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração do Carvão (RS, SC, PR), e Ermelindo Ferreira, presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota (RS).

 

Moderado por Roberto Kishinami, coordenador sênior do portfólio de energia do iCS, o painel teve abertura de Marina Marçal, coordenadora do portfólio de política climática do iCS, e Friederike Sabiel, conselheira de assuntos ambientais da Embaixada da Alemanha. Marina Marçal comentou sobre a importância da cooperação entre Brasil e Alemanha em projetos como o “Diálogos Futuros Sustentáveis” e destacou a necessidade de se promover discussões sobre o clima e a indústria do carvão, que é uma das principais fontes de combustível fóssil do mundo e cujas atividades têm enorme impacto na saúde, no meio ambiente e no trabalho.

 

“É importante destacar a transição justa de trabalhadores de combustíveis fósseis para novos setores de carbono zero sem deixar ninguém para trás. Vamos discutir o “como” fazer uma transição justa no Brasil e não mais “se”” vamos fazer.”

 

DESTAQUES

Friederike Sabiel

Friederike Sabiel ressaltou que os impactos das mudanças climáticas estão  se intensificando e que, na Alemanha, a meta é antecipar e atingir a neutralidade climática até 2045 e, até 2030, reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 65% em relação a 1990. No país, atualmente, 30% da matriz energética é oriundo do carvão, e será necessário encerrar completamente as atividades de extração até no máximo 2038. “Precisamos agir urgentemente. Isso significa que temos mudar nossa economia para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, gerar novas oportunidades econômicas. Trata-se de desenvolver alternativas aos combustíveis fosseis como o carvão, e esse é o nosso maior desafio na Alemanha. A transição tem que acontecer com responsabilidade social. As empresas e seus funcionários não podem ser prejudicados.”

Nelson Karam

Nelson Karam, do DIEESE, lembrou que o Brasil tem hoje aproximadamente 83% de fontes renováveis na matriz elétrica, e que o carvão representa (apenas) 3,1%, ao mesmo tempo em que o setor emprega dezenas de milhares de famílias. “O primeiro ponto a sublinhar aqui é que no Brasil, diferente da Alemanha, nós não estamos enfrentando um processo de transição que possamos chamar de transição justa. Em qualquer processo de mudança produtiva provocado por questões ambientais e econômicas, o social tem que estar junto. Não se pode falar em transição sem que haja um equilíbrio no tripé econômico, ambiental e social”, disse. “Hoje, no Brasil, há em torno de 4 mil trabalhadores de carvão em empregos diretos e 32 mil em empregos indiretos, totalizando 36 mil pessoas, famílias. Um mineiro ganha muito mais do que trabalhadores das demais categorias e precisamos garantir um processo de transição de justa, sem deixar inclusive de olhar para desigualdades de gênero, por exemplo”, ressaltou.

Genior José dos Santos

Genoir José dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração do Carvão (RS, SC, PR), se mostrou preocupado com a falta de garantia que, por lei, os trabalhadores do carvão têm hoje e terão nos próximos anos no Brasil, na medida em que avançarem os projetos de substituição de fontes de combustíveis fosseis por fontes renováveis na matriz energética. “A transição só será justa de salvaguardar os trabalhadores. (...) O que a gente não quer é que daqui a pouco fechem as portas da mineração e os trabalhadores fiquem sem receber os seus direitos”, pontuou. 

Ermelindo Ferreira

Ermelindo Ferreira, presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota (RS), concordou que são necessárias políticas públicas e recursos para que os trabalhadores não sejam prejudicados. Mas concluiu: “Não somos adversários do setor ambiental, nem vice-versa. É preciso dialogar.”

 

Christine Herntier

Christine Herntier, prefeita de Spremberg e membro da “Comissão phase-out de carvão” da Alemanha (país que se comprometeu a fechar todas as usinas de carvão do país até 2038), participou remotamente do painel e comentou sobre as leis e as políticas e investimentos públicos da Alemanha nessa área. “O governo federal alemão está disponibilizando 40 bilhões de euros para todo o processo de phase-out (abandono) da exploração do carvão na Alemanha. Destes, 26 bilhões são recursos federais para grandes projetos de infraestruturas, atração de novas instituições e centros de pesquisa, e 14 bilhões distribuídos através dos estados federados. Vamos incentivar e facilitar a criação e o estabelecimento de novas empresas com ofertas de bons salários. Trabalhamos no sentido de gerar também empregos públicos que entrem nessa área. Esse é um dos aspectos fundamentais”, explicou.

 

 

 

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