DESCARBONIZAÇÃO DE TRANSPORTES

DIÁLOGO 5

CLIMA E SAÚDE

Palestras

Carol Devine

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  COMBATE À MUDANÇA CLIMÁTICA É A MAIOR OPORTUNIDADE DO SÉCULO 21 NA ÁREA DA SAÚDE

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Carol Devine

Assessora para assuntos humanitários dos Médicos Sem Fronteiras

Em continuidade à série Diálogos Futuro Sustentável, parceria entre o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e a Embaixada da Alemanha em Brasília, especialistas do contexto brasileiro e internacional reuniram-se na capital do país, no dia 13 de setembro, para discutir perspectivas sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana no âmbito nacional e global, assim como experiências de integração do tema nas políticas públicas.

 

As oportunidades incluem desde a despoluição de cidades, desenvolvimento de dietas mais nutritivas e saudáveis, sistemas de monitoramento de emergências, promoção da segurança hídrica, energética e alimentar, infraestrutura resiliente nas cidades, redução das desigualdades sociais para atenuar as vulnerabilidades urbanas, entre outros.

 

Logo na abertura do evento, Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil, reforçou que as políticas climáticas são o melhor remédio para evitar implicações e riscos para a nossa saúde.  Para ele, o Acordo de Paris não é só um acordo de clima, mas também um dos melhores acordos globais de saúde que a comunidade das nações decidiu nos últimos anos.

POLÍTICAS TRANSVERSAIS

Helen Gurgel, coordenadora do Laboratório de Geografia, Ambiente e Saúde e professora da UnB,destacou o papel-chave da comunidade na aceleração do combate à mudança climática. Segundo ela, os profissionais de saúde trabalharam intensamente contra ameaças ao bem-estar - como o tabaco, o HIV/AIDS e a poliomielite. Do mesmo modo, eles devem ser líderes na resposta à problemática da influência das alterações climáticas na vida humana.

“Reduzir as emissões e limitar as mudanças climáticas significa salvar vidas, reduzir as internações nos hospitais e custos muitos elevados para o sistema de saúde e para toda a nossa sociedade. Assim deve ficar claro que todo real investido na política climática significa um investimento na nossa saúde.”

Georg Witschel

Embaixador da Alemanha no Brasil

Para Ana Toni, diretora do iCS, uma boa forma de entender os efeitos do aumento da temperatura global na saúde é fazendo uma analogia com o nosso próprio corpo. Ela lembra que quando temos febre, meio ou um grau de temperatura faz toda diferença.

“O que as duas comunidades de saúde e clima têm em comum?A da saúde tem a prevenção como pilar que os guia. Na comunidade de clima esse pilar é a precaução para evitar chegarmos a um aumento de temperatura de 2ºC. Esses dois pilares são fundamentais e as duas comunidades têm muito a aprender uma com a outra.”

Ana Toni

Diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade

“Alcançar uma economia global descarbonizada e garantir os benefícios à saúde pública não é mais uma questão técnica ou econômica, agora é política.”

Helen Gurgel

Coordenadora do Laboratório de Geografia, Ambiente e Saúde e professora da UnB

Hans-Guido Mücke, cientista do Departamento de Higiene Ambiental da Agência Ambiental Alemã, apresentou estudos sobre ondas de calor na Alemanha e também relatou a experiência de implementação da Estratégia Nacional de Adaptação à Mudança do Clima a partir de 2008, programa governamental implantado na Alemanha.

“Os efeitos das mudanças climáticas na saúde pública contemplam aspectos tão diversos quanto agricultura, biodiversidade, finanças. Trata-se de uma questão transversal, por isso deve contar com a cooperação de todos os ministérios.”

Hans-Guido Mücke

Cientista do Departamento de Higiene Ambiental da Agência Ambiental Alemã

INTERAÇÕES ENTRE CLIMA, SAÚDE E SEGURANÇA ALIMENTAR

Carol Devine, assessora para assuntos humanitários dos Médicos Sem Fronteiras, comentou que, em suas operações, a organização já identifica quais os efeitos das mudanças climáticas na saúde em 70 países nos quais atuam.

“Esses efeitos incluem desde o impacto da escassez de água em zonas de conflito, como Síria e Iraque, até a falta de segurança alimentar em lugares como Sahel, na África, ou mesmo surtos de malária em vários países ao redor do mundo.”

Carol Devine

Assessora para assuntos humanitários dos Médicos Sem Fronteiras

Crianças, idosos e as populações mais pobres se mostram mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas na saúde. Tatiana Marrufo, coordenadora do Programa Estratégico de Saúde e Ambiente do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique, mostrou como os casos de desnutrição e fome no país foram agravados pelas mudanças climáticas.

“Em 2015, tínhamos 150 mil pessoas em situação de insegurança alimentar. Em 2016, esse número saltou para um milhão e meio de pessoas devido ao fenômeno climático El Niño, que causou períodos de seca mais prolongados.”

Tatiana Marrufo

 Coordenadora do Programa Estratégico de Saúde e Ambiente do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique

Fatores como falta de planejamento e alerta precoce, rápido crescimento populacional e o mau uso da terra funcionam como potencializadores dos danos à saúde causados pelas alterações do clima. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 23,5% dos desastres naturais acontecem nas Américas e estão associados aos fatores hidrológicos e meteorológicos – resultando em 98 milhões de vítimas e um custo de U$S 679 bilhões.

Se considerarmos esses altos custos do ponto de vista econômico e humano, para Fábio Evangelista, um futuro sem mitigação e adaptação às mudanças climáticas inviabilizaráos modelos de saúde.

“Para enfrentar os desafios das mudanças climáticas precisamos repensar a forma como vivemos, produzimos, consumimos e trabalhamos. E a área da saúde oferece os melhores argumentos e evidências para fortalecer as ações de desenvolvimento sustentável.”

Fábio Evangelista

Representante da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (OPAS/OMS)

Empreendimentos de saúde no Brasil já começaram a integrar os riscos climáticos na gestão. Por meio do Projeto Hospitais Saudáveis, 100 estabelecimentos de saúde assumiram metas de redução de emissões até 2020.

“É crescente o número de empreendimentos de saúde que estão identificando oportunidades de redução de custos e maior eficiência operacional a partir de medidas de redução das emissões de gases de efeito estufa nas suas operações.”

Neilor Guilherme

Membro do conselho do Projeto Hospitais Saudáveis e engenheiro ambiental do Hospital Albert Einstein

A urgência da integração da mudança climática no planejamento de saúde foi consenso entre os argumentos desenvolvidos nas apresentações dos especialistas nacionais e internacionais.

Rodrigo Frutuoso, assessor técnico na Coordenação Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde, relatou os esforços para integrar a temática do clima nas rotinas dos vários órgãos, secretarias e departamentos que compõem a estrutura de governança de saúde no país.

O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, por exemplo, conta com 24 metas - sendo duas delas na área da saúde. “Hoje contamos com planos de contingência para que tanto no nível federal e nas instâncias estaduais e municipais estejamos preparados para dar resposta às emergências”, explica Rodrigo.

e a sociedade. Ele explicou que a temperatura não é a única variável que devemos observar.

CLIMA EXIGE MUDANÇAS NOS PARADIGMAS DE SAÚDE

“As mudanças climáticas devem ser observadas junto com as mudanças ambientais. Por exemplo, as doenças se manifestam em decorrência de questões mais amplas como desmatamento, mudança no regime dos rios e eventos climáticos extremos.”

Christovam Barcellos

Pesquisador do Observatório Nacional do Clima e Saúde da Fiocruz

A poluição já é maior causa ambiental de doenças e mortes no mundo – três vezes mais do que HIV/AIDS, tuberculose e malária combinados.Por isso, Evangelina Vormittag, fundadora e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, alertou a importância de considerar os indicadores de saúde no planejamento urbano e decisões de infraestrutura nas cidades (principalmente pela convergência das agendas de clima, saúde, transporte e energia renovável). 

Sobre essa temática, Alice Amorim, coordenadora do portfólio de política climática e engajamento do iCS, chamou atenção para o fato de que a infraestrutura nos países em desenvolvimento ainda está por construir-se em muitos casos. Precisamos, então, traduzir para a sociedade quais são os impactos negativos da mudança de clima na saúde das pessoas, a partir do que é vivenciadonas rotinas cotidianas de cada um. A cidade é o lugar onde essa relação e os efeitos ficam mais evidentes.

“Estamos em tempo de incluir aspectos de clima e saúde no planejamento e decisão de investimento de infraestrutura, mas é preciso fazê-lo com urgência.”

Alice Amorim

Coordenadora do portfólio de política do Instituto Clima e Sociedade

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Fotos:Gustavo Amora

 

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