DIÁLOGO 1

ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO DE LONGO PRAZO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Alfredo Sirkis, à frente do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, e Carlos Rittl, do Observatório do Clima, mencionaram o estímulo à indústria de baixo carbono como condição para a competitividade internacional, o fomento de inovações e a criação de novos modelos de financiamento, taxação e gratificação.

Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN, associação que reúne 90% dos ativos do setor no Brasil, aposta na competitividade e nas vantagens do Brasil sobre outras nações, como por exemplo a capacidade de suprir internamente a demanda por alimentose a matriz energética limpa, se comparada a de outros países.

Everton Lucero, do Ministério do Meio Ambiente, avalia que as LTSs brasileiras devem considerar prioritariamente os setores de Energia (37% das emissões) e Agropecuária (31%), além do desmatamento (18%). Para isso, são fundamentais a articulação intersetorial e um ambiente de segurança jurídica e transparência que atraia investimentos.

 

As apresentações foram seguidas de debates de alto nível que levantaram questões sobre os desafios da implementação, do monitoramento de medidas e sobre a urgência de elaborar fórmulas de estímulo financeiro à redução das emissões, além de preocupações relativas ao atual ambiente político-institucional brasileiro, dificuldade que precisará ser superada na elaboração das LTSs.

PARCERIA

Especialistas do Brasil, México e Alemanha, além do representante da Plataforma europeia 2050, se reuniram em Brasília, no dia 2 de junho de 2017, para debater caminhos para a construção de estratégias de longo prazo (LTS, na sigla em inglês) para uma economia de baixo carbono. O evento contou com a parceria do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

    O CLIMA PODE, SIM, AJUDAR O BRASIL A PENSAR SEU MODELO DE DESENVOLVIMENTO DE LONGO PRAZO, SUSTENTÁVEL E COM EQUIDADE.

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Ana Toni

Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade

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FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS

Também mereceu destaque nas palestras o papel da academia na produção de inovações, na avaliação e no respaldo às estratégias de longo prazo.

O México relatou uma experiência de cooperação científica com o Massachusetts Instituteof Technology (MIT), com o qual desenvolveu um modelo para traçar trajetórias setorizadas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

O Ministério do Meio Ambiente brasileiro também destacou a importância da parceria com organismos de pesquisa, como o IPEA e o IBGE, aliados no desenvolvimento, na avaliação e no monitoramento das LTSs brasileiras.

FINANCIAMENTO E PRECIFICAÇÃO

Atrelar financiamentos à presença de medidas efetivas de redução de emissões de GEE e estimular a economia de baixo carbono, reconhecendo o valor social, ambiental e econômico de ações de mitigação, redução e remoção do carbono também foram temas em pauta no encontro, tanto nas palestras como durante os debates.

O DESAFIO DAS LTSs BRASILEIRAS

“Se nós pensarmos numa perspectiva de longo prazo, o que nós precisamos é valorizar a floresta em pé, e valorizar economicamente. Criar instrumentos que permitam que seja em benefício do detentor da área manter a sua floresta em pé.”

Everton Frask Lucero

Secretário de Mudança do Clima e Floresta do Ministério do Meio Ambiente - Brasil

Ana Toni

Palestras

GOVERNANÇA E PARTICIPAÇÃO

A governança foi um tema bastante debatido. Setores como infraestrutura, energia, meio ambiente, mobilidade, habitação, saúde e educação precisarão harmonizar interesses e traçar planos inter e multissetoriais, envolvendo ativamente universidades, governos, gestores públicos, setor privado, sindicatos e sociedade civil.

Emmanuel Guerin apresentou a Plataforma 2050, lançada durante a CoP22 em Marrakesh, instrumento idealizado para facilitar a construção das LTSs de países, cidades e empresas com a participação da sociedade, organizando o diálogo, propiciando assessoria técnica, traduzindo metas de longo prazo em ações e atraindo financiamentos.

PLANEJAR HOJE O FUTURO QUE QUEREMOS

Mudanças climáticas, desenvolvimento social e sustentabilidade são temas indissociáveis. Esta foi a tônica do encontro. Investir e agir para reduzir o aquecimento global, mais do que uma responsabilidade de todas as nações, é uma oportunidade única de impulsionar a evolução para uma economia socialmente justa e sustentável.

“A economia da Alemanha está crescendo, porque estamos conquistando mercados novos. É a economia que tem o melhor desempenho na Europa reduzindo, ao mesmo tempo, suas emissões. Isso acaba com o mito de que só se pode lutar contra as mudanças climáticas com custos para desenvolvimento.”

Karsten Sach

Diretor Geral de Políticas Climáticas, Política Europeia e Internacional no Ministério Federal de Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Construção e Segurança Nuclear – BMUB, Alemanha.

“Todos os agentes econômicos tomam suas decisões baseados em preços. Coloque os preços e você vai ter a reação da sociedade imediatamente (...) 16,5% das operações de crédito para pessoa jurídica de 14 bancos, que representam 87% do crédito, já estão na economia verde. Nós vamos medir isso todos os anos.”

Mário Sérgio Fernandes de Vasconcelos

Diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN

“A saída do vermelho da crise econômica está no verde da economia descarbonizada, está no verde da eliminação do desmatamento, está no verde da restauração florestal, da energia renovável e da agricultura de baixo carbono.”

Carlos Rittl

Secretário Executivo do Observatório do Clima

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Fotos: Ana Rezende

 

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