DIÁLOGO 16

O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA SAÚDE  _Políticas públicas e contexto internacional

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NÃO É O PLANETA QUE ESTÁ EM PERIGO, MAS SIM A HUMANIDADE

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Especialistas discutem os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana, acentuados pela pandemia do Covid-19.

As conseqüências dos efeitos das mudanças climáticas à saúde humana foi o tema da primeira edição de 2021 do ciclo de seminários Diálogos Futuro Sustentável, promovido pelo iCS - Instituto Clima e Sociedade em parceria com a Embaixada da Alemanha. Com abordagem global e propostas para ações locais, o Diálogos atualizou os temas emergenciais da conexão entre clima e saúde, lançando luz sobre as decisões que precisamos tomar hoje para garantir uma vida saudável em um sentido amplo, tanto humano quanto ambiental.

 

Com moderação de Marina Marçal, coordenadora do Portfólio de Política Climática do iCS, o painel O impacto das mudanças climáticas na saúde - Políticas públicas e contexto internacional reuniu Andreia Banhe, gerente-sênior para Cidades, Estados e Regiões do CDP Latin America; Christovam Barcellos, coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz e vice-diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict); e a alemã Laura Jung, da Global Climate and Health Alliance e do conselho da German Alliance on Climate Change and Health (KLUG). A abertura foi de Ana Toni, diretora executiva do iCS, e Friederike Sabiel, conselheira para assuntos ambientais da Embaixada da Alemanha no Brasil.

 

No evento, o CDP lançou o relatório Mudança do clima e saúde urbana - Impactos e oportunidades para as cidades brasileiras, com dados inéditos sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde urbana, abrangendo 92 cidades brasileiras com 55 milhões de habitantes. O estudo  apresenta estatísticas alarmantes e aponta oportunidades de ações com impactos positivos tanto do ponto de vista ambiental como de saúde pública.

Clique aqui para acessar o relatório.

Christovam Barcellos apresentou pesquisa inédita realizada pela Fiocruz com a WWF, e ressaltou que é imprescindível o diálogo entre três partes: a comunidade científica/acadêmica, os políticos e a sociedade civil. "Precisamos assumir que há processos que estão afetando a saúde da população", disse. O estudo apresentado faz um alerta sobre a expansão geográfica da seca no país e a possibilidade de seca na Região Sudeste. "As notícias aqui no Brasil não são boas. Esvaziam-se as instituições de pesquisa e, ao mesmo tempo, os órgãos de controle ambiental. Precisamos estabelecer um consenso, investir em pesquisa. Mas o aspecto positivo é que a credibilidade da ciência está aumentando com a pandemia da Covid-19."

O governo da Alemanha, que caminha para a neutralidade de carbono em 2045, após advertência do tribunal constitucional anunciou em maio metas climáticas ainda mais ambiciosas, que preveem a redução de emissões em 65% até 2030. Ana Toni concluiu alertando que "não é o planeta que está em perigo, mas sim a humanidade" e que é urgente que se faça algumas apostas: na ciência e educação; na cooperação, não só entre países, mas entre sociedades; e na valorização da solidariedade.

DESTAQUES

_Os efeitos causados pelas mudanças climáticas impactam a saúde humana principalmente de três formas:

Impacto direto - mortalidade e morbidade geradas pela poluição do ar por veículos, indústrias e queimadas;

Impacto indireto relacionado às mudanças ambientais - alterações nos padrões de transmissão de doenças por mosquitos ou carrapatos;

Impacto indireto relacionado aos sistemas sociais - doenças mentais advindas de conflitos em deslocamentos populacionais, desnutrição, insegurança alimentar, perdas econômicas geradas pelas alterações no clima, entre outras.

_Relatório do CDP Latin America aponta que foi estimado um custo de US$ 1,7 bilhão anuais por mortes prematuras por poluição do ar em 29 capitais brasileiras.

_Estudo realizado pela Fiocruz e WWF revela que 60% do Material Particulado (MP) inalado no Brasil é proveniente da queima da floresta amazônica. Em 2019 houve 2.500 hospitalizações por mês de crianças na região amazônica em decorrência da poluição das queimadas. E a exposição crônica à fumaça faz com que os indivíduos mais vulneráveis à Covid-19 possam apresentar formas mais graves da infecção.

_O surgimento da Covid-19 evidencia a necessidade iminente de um esforço preventivo no controle de zoonoses. Os custos associados aos esforços preventivos seriam substancialmente menores comparados com os custos econômicos, sociais e de saúde no controle de potenciais epidemias e ou pandemias. A associação entre o desmatamento, queimadas e degradação da floresta e a emergência de vírus sugere que esforços para manter a cobertura florestal têm um grande retorno sobre o investimento, devendo ser uma prioridade governamental.

_A Alemanha se encaminha para a neutralidade de carbono em 2045. Em maio, governo apresentou projeto de lei com metas climáticas mais ambiciosas, que prevê a redução de emissões em 65% até 2030.

_Entre as medidas globais apontadas como urgentes, um dos destaques é a necessidade de as nações investirem na distribuição de poder, e nesse quesito a justiça de gênero é uma importante aliada da justiça climática.

_Não é o planeta que está em perigo, mas sim a humanidade. Nesse contexto, é urgente que se faça algumas apostas: na ciência e educação; na cooperação, não só entre países, mas entre sociedades; e na valorização da solidariedade.

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